Intraempreendedorismo: inovação ágil em empresas estabelecidas

Ensaio publicado originalmente no Blog Star2Up – consciência empreendedora:  star2up.blog.br

No campo da inovação, pensando no empreendedorismo inovador, uma questão recorrente é “Como uma empresa estabelecida pode inovar como se fosse uma startup?” Na base dessa indagação estão aspectos críticos que acabam por erguer barreiras à inovação empreendedora (como fazem as startups) em empresas estabelecidas: tomada de decisão lenta, estrutura funcional rígida, excesso de burocracia interna, baixo grau de liberdade para investimentos.

Em muitas empresas consolidadas não é incomum que inovações aconteçam como fruto de descobertas casuais, ideias individuais, acidentes de percurso em processos de p&d, e outras causas não controladas. Portanto, uma atividade não sistematizada, muitas vezes desconexa de qualquer diretriz estratégica.

Sendo assim, primeiramente precisamos entender que uma empresa estabelecida, diferentemente de uma startup (um empreendimento embrionário), deve pensar em duas linhas estratégicas para inovação, a incremental (ou de sustentação) e a radical (seja de ruptura ou disruptiva). Pela inovação incremental a intenção é ampliar os negócios atuais com produtos ou serviços com funcionalidades adicionais e/ou com capacidades aprimoradas. Pela inovação radical o objetivo estratégico é gerar novo crescimento atendendo a um novo segmento de clientes fora de sua atual área de atuação.

Nesse contexto, é na segunda opção estratégica – inovação radical – que surge a oportunidade para introdução de ações para inovação ágil com as práticas usadas por startups. Isso exigirá um novo modelo de negócio (business model), focado na produção e entrega de uma proposta de valor (value proposition) para o novo segmento.

Então, a questão original poderia ser expandida para uma reflexão sobre: “Como dar agilidade ao processo de inovação, convivendo com uma estrutura funcional desenhada para garantir previsibilidade à rotina?”, “Como manter foco no desenvolvimento da inovação, com equipes internas que exercem atividades diversas?”, “Como implementar um modelo de ação para inovação sem ficar restrito por regras e procedimentos existentes?” e, “Como garantir o aporte de recursos financeiros necessários às experimentações inerentes ao desenvolvimento de inovações radicais?

solução Star2Up para o intraempreendedorismoA resposta passa pela compreensão e adoção de um modelo de inovação que privilegie o intraempreendedorismo. Mas o que é isso e como pode ser implementado?

No novo modelo de negócio intraempreendedor, os recursos financeiros para a inovação radical devem ser pensados e alocados como um investimento de risco (à parte do plano orçamentário tradicional), de modo a ganhar prioridade e mais graus de liberdade. A equipe de inovação deve ser constituída por membros (mesmo que um ou dois profissionais) com foco e dedicação exclusiva, com “permissão” para falhar sem que isso implique perda de pontos num eventual sistema de gestão por desempenho.

A Star2Up desenvolveu um modelo de ação ágil para o intraempreendedorismo inovador. São oito etapas: seleção, liderança, concepção, validação, acabamento, escalabilidade, organização e expansão. Organizadas em três fases, essas etapas promovem o desenvolvimento mercadológico, tecnológico e organizacional, levando à inovação radical que gera novo crescimento com a consequente captura de valor superior para o negócio.

Implementado como um Modelo de Intraempreendedorismo Mínimo Viável (MVIM – Minimum Viable Intra-entrepreneurship Model), esse modelo dará origem a um sistema de gestão da inovação radical, para a empresa estabelecida, que tem a agilidade de uma startup em seu cerne e as melhores práticas do empreendedorismo inovador em sua sistemática.

Desenvolvimento Organizacional

Ensaio publicado originalmente no Blog Star2Up – consciência empreendedora:  star2up.blog.br

Completando as três fases do empreendedorismo inovador, ultrapassadas as fases do desenvolvimento tecnológico e do desenvolvimento mercadológico, é chegada à vez do desenvolvimento organizacional de modo a consolidar o empreendimento, o que exige a superação de duas etapas: organização e comportamento.

É nessa fase que a desorganização das primeiras horas da iniciativa empreendedora, com atividades caóticas, falta de uma definição clara sobre responsabilidades finais, líderes que não compreendem muito bem ou não sabem como exercer com maestria seu papel, rápida incorporação de pessoas ao negócio não necessariamente engajadas, e outros riscos, deve ser superada para que o jovem empreendimento se transforme numa empresa estabelecida ganhando sustentabilidade de longo prazo.

Star2Up - Desenvolvimento OrganizacionalA etapa da organização foca o desenvolvimento organizacional na estrutura funcional e nos processos de trabalho. Um aspecto crítico é a definição inequívoca sobre quem tem accountability (responsabilidade final) sobre os resultados e, consequentemente, deve ser dotado de autoridade sobre os processos de sua geração e entrega. Assim, é importante definir formalmente a estrutura funcional, com a definição clara das áreas de autoridade & responsabilidade, as denominadas unidades gerenciais, em todos os níveis: do negócio (estratégico), das funções empresariais (tático) e dos processos do dia a dia (operacional).

Com as unidades gerenciais definidas, o passo seguinte vital é o desenho dos processos de trabalho promovendo a sistematização da gestão estratégica, da inovação, da operação e do humano. Isso é feito a partir do mapeamento dos processos, que permite a visualização das atividades sequenciais que precisam ser realizados com maestria, e com a identificação e monitoramento das métricas de resultados e de eficiência. Deve haver ainda o alinhamento de prioridades e uma alocação produtiva dos recursos disponíveis, muitas vezes bastante limitados nesse jovem estágio de vida do empreendimento.

Na etapa do comportamento a atenção e ações se voltam para o desenvolvimento humano. É tempo dos empreendedores aperfeiçoarem suas habilidades de liderança, do nível altamente capacitado no qual, com talento e conhecimento de técnicas, faz entregas produtivas, ao nível de excelência em que, com determinação inabalável e capacidade de inspiração, deverá promover resultados extraordinários e perenidade para o empreendimento.

Além dos empreendedores, idealizadores e fundadores do negócio, também os colaboradores precisam ser desenvolvidos. Esses últimos devem ser levados à condição de coempreendedores, com ações que estimulem total engajamento, desenvolvimento de competências distintivas e estabelecimento de forte senso de equipe, como condições para a produção de resultados excepcionais.

A etapa comportamento, da fase de desenvolvimento organizacional, em sua essência, será conduzida com ações sobre o ambiente e as condições de trabalho, estabelecendo e mantendo uma cultura organizacional com viés empreendedor e a gestão por competências com foco no saber (conhecimentos), saber fazer (habilidades) e querer fazer (atitudes).

Nos próximos ensaios vamos abordar as principais ferramentas, práticas e métodos de cada etapa das três fases do empreendedorismo inovador.

Desenvolvimento Mercadológico

Ensaio publicado originalmente no Blog Star2Up – consciência empreendedora:  star2up.blog.br

Avançando nossa compreensão sobre as três fases do empreendedorismo inovador, vencida a fase do desenvolvimento tecnológico, toma lugar o desenvolvimento mercadológico. Essa fase segue ao longo de três etapas: escalabilidade do produto no mercado, competitividade e expansão do empreendimento.

Star2Up - Desenvolvimento MercadológicoNa primeira etapa do desenvolvimento mercadológico, voltando ao nível da ação (lembrando, estamos vindo do nível do pensamento, onde o modelo do negócio foi desenhado), a escalabilidade ganha o foco das atividades. O objetivo é o lançamento da solução no mercado alvo promovendo o ganho de escala, com ações de escalabilidade (crescente conquista de clientes) e de repetibilidade (manutenção da base de clientes já conquistados).

Nessa etapa será estabelecido e implementado um plano de marketing (Mkt Plan) ágil, com a definição da política de preços do produto e a orientação dos recursos e esforços para sua promoção e distribuição. O alvo é conquistar o grupo de clientes do mercado mainstream (mercado de massa) conhecido como early majority (maioria mais cedo), que tem como característica o pragmatismo optando por produtos que entregam soluções completas e conveniência.

A segunda etapa da fase cuida do planejamento do crescimento sustentado com especial atenção à competitividade do negócio, dado que o empreendimento potencialmente vai se defrontar com concorrentes, novos entrantes no mercado (imitadores, seguidores, empreendimentos com produtos derivados, etc.), empresas estabelecidas com estratégias de criação de barreiras ao produto inovador competidor e grupos de interesse com soluções diversas que podem perder mercado.

Voltando ao nível do pensamento, esta etapa exige o desenvolvimento de um planejamento estratégico estruturado, passando pela compreensão clara e objetiva das forças e fraquezas do empreendimento em suas relações com as oportunidades e ameaças do ambiente de competição, culminando no estabelecimento de um Business Plan (Plano de Negócio). Nesse Business Plan estarão estabelecidos objetivos e metas estratégicas e um portfólio de iniciativas para sua realização.

Completando a fase do desenvolvimento mercadológico, a terceira etapa foca o esforço do empreendimento na expansão do mercado de atuação, onde a intenção é promover novos ganhos de escala. Voltando ao nível da ação, será arquitetado um Growing Plan (Plano de Crescimento), com diretrizes derivadas do Business Plan ou fruto de uma revisão estratégica, detalhando iniciativas para avanços na distribuição dos produtos.

A expansão pode se dar pela ampliação do alcance geográfico do negócio, criação de produtos adjacentes ou acréscimos em funcionalidades e/ou aumento da capacidade de produção e distribuição dos produtos. Para isso poderá ser oportuno captar recursos financeiros via fonte de fomento ou a abertura da empresa a investidores. Se necessário deverá haver aperfeiçoamento ou aprofundamento de compliance, com ajustes para o atendimento a normas e regulamentações específicas e mitigação de riscos.

No próximo ensaio vamos discutir a fase do Desenvolvimento Organizacional, que visa dar sustentabilidade de longo prazo ao empreendimento inovador com sua consolidação numa empresa estabelecida.

Desenvolvimento Tecnológico

Ensaio publicado originalmente no Blog Star2Up – consciência empreendedora:  star2up.blog.br

Já estabelecemos que o empreendedorismo inovador passa por três fases, sendo a primeira o desenvolvimento tecnológico, e que essa fase avança vencendo três etapas: concepção do produto, prototipagem e acabamento. Vamos então ao detalhamento dessas etapas, compreendendo como ocorre o desenvolvimento tecnológico.

Com um andamento estruturado, o processo do empreendedorismo inovador evolui suas etapas alternando dois níveis de atividades: o do pensamento e o da ação. Na fase do desenvolvimento tecnológico, o início das atividades se dá ao nível do pensamento, avança para o nível da ação e retorna ao nível do pensamento. O nível do pensamento é onde se concentram atividades de geração de ideias, reflexões, decisões e planejamento, que darão origem ao arcabouço do empreendimento. No nível da ação a inovação é posta à prova, com atividades de seleção de ideias, testes e validação da solução.

Star2Up - Desenvolvimento TecnológicoNa primeira etapa do desenvolvimento tecnológico a definição do problema ganha forma, levando à concepção do produto inovador. O início é a criação da visão de futuro para o empreendimento culminando no desenho da proposta de valor para o segmento alvo de clientes. Nesse caminho deve-se compreender objetivamente o problema a ser resolvido e que trabalho deve ser feito para solucioná-lo.

Na segunda etapa a exploração da solução toma o campo da ação, onde o produto inovador é levado da ideia ao seu desenvolvimento e testes de campo, por meio de avanços em prototipagem. Esta é uma fase de ciclos de aprendizagem, com pivotagens a cada nova descoberta crítica sobre o problema do cliente e o trabalho a ser feito. A prototipagem pode ser conduzida em três níveis de profundidade, iniciando com um produto mínimo viável (MVP), passando a testes com a versão alfa (um produto ainda em desenvolvimento) e concluindo com a versão beta (um produto pretensamente acabado, mas que ainda pode exigir ajustes ou mesmo correções).

Na terceira etapa, fechando a fase do desenvolvimento tecnológico, tem lugar o acabamento com a modelagem do negócio. Aqui, com o segmento de clientes já bem definido e a proposta de valor testada e validada, serão definidos os outros aspectos críticos do negócio que permitirão a entrega da solução aos clientes alvo e a captura de valor para o empreendimento. Assim, as formas de relacionamento com o cliente e a distribuição dos produtos devem ser definidas, bem como as atividades e recursos críticos e os parceiros chave do negócio. Do ponto de vista financeiro, a estrutura de custos e o fluxo de ganhos também devem ser detalhados.

Em ensaios próximos vamos discutir as fases seguintes do empreendedorismo inovador, o desenvolvimento mercadológico e o organizacional e, então, detalhar as principais ferramentas e métodos de cada etapa das três fases.

Governança Empreendedora, um novo conceito!

Ensaio publicado originalmente no Blog Star2Up – consciência empreendedora:  star2up.blog.br

A visão do empreendedor inovador, em geral, é uma epifania. Sua intenção ideológica é mudar o mundo, com sua inovação de valor. Contudo a realidade do dia a dia impõe desafios a serem superados, problemas não previstos, obstáculos a cada avanço. Há o risco estratégico ao desafiar negócios estabelecidos, formam-se movimentos contrários a sua proposta de valor, surgem barreiras organizacionais ao crescimento sustentado,…

planoXrealidadeAssim, conforme o empreendedor vai desenvolvendo e testando sua ideia, ele vai descobrindo que dificilmente conseguirá vencer todos os desafios sem algum apoio. Não basta a ideia original e a capacidade de transformá-la num produto inovador. O empreendedor bem sucedido nessa empreitada inicial descobre que, para além do processo de inovação, há questões estratégicas, mercadológicas e organizacionais a resolver.

Aceleradoras de startups que aportam capital financeiro, para tentar garantir o retorno do investimento, contribuem com algum nível de aporte de conhecimento ao empreendedor, seja com atividades de mentoria ou capacitação. Isso nem sempre é suficiente. Aqui entra a Governança Empreendedora.

Governança, por si só, é o ato de governar, regulando e controlando o andamento de algo. A Governança Corporativa, uma sistemática muito presente no mundo dos negócios, pode ser entendida como o exercício do poder na administração dos recursos corporativos, com a definição de políticas e diretrizes para o negócio, a tomada de decisão em nível superior e o relacionamento com os stakeholders (partes interessadas do/no negócio).

A Governança Empreendedora, um novo conceito, tem por objetivo aportar capital intelectual ao empreendedor. Com mais conhecimento e habilidades sobre gestão e liderança o empreendedor ganha segurança, tomando melhores decisões, agilizando a resolução de problemas do negócio e conduzindo a equipe de modo harmônico e focado. Há benefícios também para o investidor, que adquire mais confiabilidade para investir ao ver ampliadas as chances de sucesso de retorno de seu investimento, pelo ganho de sustentabilidade do empreendimento.

Entendido o conceito, surge uma questão primordial: Como a Governança Empreendedora pode ser conduzida? Por meio de três ações inter-relacionadas: mentoria, workshops e consultoria.

Com a mentoria há a troca de experiências, o esclarecimento de dúvidas, orientações e o apontamento de caminhos a seguir para o avanço do empreendimento. Ela amplia a capacidade do empreendedor para o exercício de seu papel como executivo do negócio, mas não entrega tudo que ele precisa…

Com workshops o empreendedor tem apoio metodológico para formular as estratégias do negócio, para desdobrar e priorizar o que deve ser realizado dentro de sua limitação de recursos, para analisar e dar encaminhamento à solução de problemas críticos,…

Na Governança Empreendedora, a consultoria é conduzida como um processo de aprendizado. Há um forte trabalho cooperativo e colaborativo – hands on – entre consultor e empreendedor, que culminará tanto na solução de problemas quanto na apreensão, por parte do empreendedor, de ferramentas, métodos e práticas de gestão.